Regional Mato Grosso do Sul
  
  

MST responde deputada Tereza Cristina sobre a abertura do acampamento Olga Benário na BR-262/MS

acampamento olga

 

“Lutamos pela terra. Lutamos pela reforma agrária. Lutamos pelas vidas perdidas em um confronto por terra”

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de Mato Grosso do Sul (MST), vem por meio desta nota oficial, responder as declarações da deputada federal, Tereza Cristina (PSB), sobre as declarações da mesma para a imprensa, nesta terça-feira (12), em relação a abertura do acampamento Olga Benário, localizado às margens da BR 262/MS, entre Campo Grande e Terenos. 

Primeiramente esclarecemos que o Acampamento Olga Benário, está a margem da Rodovia Federal, pois em Mato Grosso do Sul, somente no MST, existem milhares de famílias acampadas, há mais de dez anos, aguardando por Reforma Agrária, a mesma está paralisada por conta de um Congresso Federal, que é formado, em sua grande maioria, por deputados e senadores conservadores, reacionários e latifundiários, que não permite a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, exemplo disso, é o fato de que não há áreas destinadas para este fim, atualmente há apenas uma área decretada, que sem dúvida não irá resolver o problema da questão de terra em MS. 

Esclarecemos que na região onde está localizado este acampamento do MST, já existia um, pertencente a outro movimento de luta pela terra e também há outro do movimento, pois entendemos que a proximidade dos acampamentos fortalecem a luta e a segurança de nossas famílias, que são constantemente atacadas por milícias armadas, contratadas pelos latifundiários. O fato recente no acampamento Dom Tomás Balduíno, na região de Quedas do Iguaçu, Centro do estado do Paraná, onde dois Sem Terras foram assassinados e sete gravemente feridos, não é um fato isolado, é resultado de uma disputa de classe, que já ocorreu por diversas vezes em nossos estado, recentemente na ocupação da propriedade Saco do Céu, em Nova Andradina, fomos atacados por diversas vezes pela milícia que se encontrava no local. 

Com os fatos recorrentes de assassinatos de nossas lideranças, de ataques aos acampamentos com forte aparato policial e de milícias, cremos que a declaração da deputada que se diz: “Sinto-me muito firme. Não mudo minha opinião por nada. Mas isso que está ocorrendo é um desrespeito à Constituição. É uma ameaça", quem está ameaçado são nossas famílias, crianças, idosos, homens e mulheres de bem, que estão apenas lutando por uma vida mais digna, por um pedaço de chão para garantir a soberania alimentar, produzir arroz, feijão, hortaliças e trabalhar para sustentar seus filhos. 

Ainda enfatizamos que quem não cumpre a Constituição é a nobre parlamentar, que não respeita a Reforma Agrária. Tereza Cristina é sub-relatora da CPI da Funai/Incra na Câmara Federal e também compõem a bancada ruralista, em suas afirmações, ressaltou que “há dezenas de fazendas improdutivas na região que poderiam ser desapropriadas pelo Incra para assentamento”, portanto chamamos a atenção da mesma, que não está cumprindo com os seus deveres como parlamentar federal, pois poderia indicar ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tais propriedades para fins de Reforma Agrária, como prevê a Constituição Federal e o Estatuto da Terra, já que a deputada está compondo uma CPI que visa investigar as ações do órgão federal, ela deveria colaborar para resolver o conflito da questão agrária em seu estado, que já se estende por décadas.

Jamais seremos favoráveis a corrupção em nenhuma instância do nosso país e estamos sim fazendo a luta contra a decisão do TCU (Tribunal de Contas da União) de paralisar a Reforma Agrária, se há indícios que eles sejam investigados pelos órgãos de segurança pública competentes. Não podemos permitir que se pare a Reforma Agrária no país, pois enquanto processos como esse se desenrolam, milhares de famílias passam fome em seus barracos de lona, às margens da rodovia. 

O MST e os movimentos que lutam pela terra neste país jamais colocarão fogo no campo em hipótese alguma, como afirmou a deputada Teresa Cristina, nós queremos o campo para produzir, tanto é que o nosso lema é “Lutar! Construir Reforma Agrária Popular” e a agricultura familiar responde por cerca de 70% dos alimentos consumidos em todo o país, o pequeno agricultor ocupa hoje papel decisivo na cadeia produtiva que abastece o mercado brasileiro: mandioca (87%), feijão (70%), carne suína (59%), leite (58%), carne de aves (50%) e milho (46%), são alguns grupos de alimentos com forte presença da agricultura familiar na produção. Fruto de muita luta e sangue de nossas organizações para assentar nossas famílias.

Por fim, somos solidários ao coordenador nacional da Contag (Confederação Nacional da Agricultura), Aristides dos Santos, que foi tão citado pela parlamentar em sua fala ao atacar o MST e ressaltamos que temos lado nesta disputa que está acontecendo em nosso país, somos contrários ao Impeachment sem procedente da presidenta da República, Dilma Rousseff. Vamos à luta pela democracia sempre e o que nos espanta e a deputada querer usar o nosso acampamento para justificar o seu voto a favor do golpe ao Estado Democrático de Direito. 

“Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo”. Olga Benário Prestes

MST/MS